O morangueiro (Fragaria × ananassa) é a cultura comercial mais sensível a sais no Brasil. Estudos da Embrapa e da FAO estabelecem que a CE da solução do substrato não deve ultrapassar 1,0 mS/cm em fase vegetativa — e o substrato inicial precisa partir de menos de 0,5 mS/cm para dar margem à fertirrigação. Fibra de coco natural (sem lavagem) com CE de 4–8 mS/cm queima raízes e inviabiliza o ciclo.
O morangueiro tem sistema radicular superficial e raízes finas de baixa tolerância osmótica. Sais em excesso aumentam a pressão osmótica do substrato, forçando a planta a gastar energia para absorver água em vez de crescer e frutificar. Os principais efeitos de CE elevada no morangueiro:
O morango em substrato pode ser cultivado em diferentes sistemas, cada um com demanda diferente de volume de fibra lavada por planta:
Mesmo comprando fibra com laudo CE < 0,5, é boa prática medir a CE na recepção com condutivímetro. O protocolo mais simples (método 1:1,5 em volume):
A fibra lavada tem excelente capacidade de retenção hídrica (>80%) mas também boa drenagem quando bem estruturada. Para o morango, o manejo correto é:
Um produtor de morango com 10.000 plantas em growbags de 10 L precisa de 100.000 L de substrato = aproximadamente 10.000 kg (10 t) por ciclo. A cada 2 ciclos, o substrato deve ser renovado. Calcule seu custo com a ferramenta deste hub.
Para morango em substrato, a fibra de coco lavada com CE < 0,5 mS/cm não é opcional — é pré-requisito para que a fertirrigação funcione dentro dos limites tolerados pela cultura. Comprar fibra sem laudo ou sem verificação de CE é o erro mais comum e mais caro que produtores de morango cometem com insumos de substrato.
Um dos aspectos mais importantes do manejo de morango em fibra lavada é o calendário de irrigação. Diferente de solo, onde a umidade muda lentamente, o substrato de coco tem dinâmica hídrica rápida — seca e re-satura em questão de minutos. Em sistemas comerciais com growbag, a prática padrão é realizar entre 4 e 8 irrigações por dia, dependendo do estágio fenológico da planta e das condições climáticas.
Na fase de enraizamento (primeiras 2–3 semanas), 3 a 4 pulsos curtos por dia são suficientes — o objetivo é manter umidade constante sem encharcamento, dando tempo para as raízes jovens se estabelecerem. Na fase de floração e frutificação, a demanda hídrica aumenta significativamente: 6 a 8 pulsos diários são comuns em estufas com temperaturas acima de 28 °C, especialmente quando a umidade relativa cai abaixo de 60%. Em dias nublados ou chuvosos, a frequência pode ser reduzida para 3–4 pulsos sem prejudicar a planta.
A fração de drenagem — volume de lixiviado dividido pelo volume irrigado — é o indicador-chave para evitar acúmulo de sais. O alvo para morango é manter drenagem entre 20% e 30% do volume aplicado. Abaixo de 20%, os sais da fertirrigação se concentram na zona radicular e a CE do substrato sobe progressivamente. Acima de 30%, há desperdício de solução nutritiva e aumento do custo operacional, além de risco de lixiviação excessiva de nutrientes.
Para a CE da solução de fertirrigação, a faixa-alvo para morango é 1,2 a 1,8 mS/cm, ajustada conforme o estágio: 1,2 mS/cm na fase vegetativa e até 1,8 mS/cm durante a frutificação. A CE do lixiviado (drenagem) deve ser monitorada diariamente — se ultrapassar 3,5 mS/cm, é sinal de acúmulo de sais e indicação para aumentar o volume de irrigação ou realizar uma lavagem emergencial com água pura. Esse controle fino só é possível quando o substrato de partida tem CE muito baixa (< 0,5 mS/cm), reforçando a importância da fibra lavada e tamponada para morango.
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